segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Reorganização sem alarde

O ano letivo nem começou e o governo Geraldo Alckmin já está trabalhando a todo vapor para tornar aquela proposta de reestruturação escolar que levou vários alunos a ocuparem as escolas no final do ano passado em fato consumado.

 A proposta anunciada de maneira desastrada no segundo semestre de 2015 e que culminou com a saída do ex-secretário da educação, Herman Voorwald, está de volta, só que de maneira discreta, na forma de resoluções independentes que permitem a superlotação de sala (Resolução SE 02, de 08/01/2016), o que resultou no fechamento de várias salas, ou que sucateiam ainda mais as escolas ao reduzir a quantidade de professores coordenadores por unidade escolar (Resolução SE 12, de 29/01/2016).  Além disso, sob orientação de Diretorias de Ensino, tem escola se recusando a aceitar matrículas de alunos que não moram próximos à unidade escolar para depois alegar falta de demanda e então fechar salas.

Quando se trata de piorar a qualidade da educação pública, o governo do estado de São Paulo mostra que é especialista no assunto. Com redução de salas, houve, consequentemente, redução de aulas e muitos professores agora na atribuição terão que compor suas jornadas em mais unidades escolares, no fim das contas atuando em três ou quatro escolas diferentes, dependendo do caso.

 Mas isso não é nada diante das consequências da Resolução SE 12, publicada no sábado, 30/01/2016. Ao mudar os critérios e estabelecer a diminuição do número de professores coordenadores nas unidades escolares, a secretaria coloca muitos professores em situação de dificuldade financeira. A Secretaria parece se esquecer que os professores têm família e contas a honrar. Parece se esquecer que as pessoas se planejam, fazem escolhas ao assumir um cargo. E nessa altura do campeonato, as escolas particulares já estão iniciando suas aulas, quem poderia ter pegado mais aulas ou mesmo corrido atrás de outros empregos já perdeu a vez.  A falta de respeito desse governo com os professores parece não ter limites. Nesse sentido, infelizmente ainda podemos esperar coisas piores, como por exemplo, mais um ano seguido sem reajuste salarial. Sem reposição de inflação e com diminuição do número de aulas, muitos professores devem estar arrancando os cabelos diante das contas a pagar. Para piorar a situação, aqueles professores que dependem do IAMSP, devem rezar para não ficar doentes, pois os especialistas e as clínicas conveniadas com tal plano de saúde estão desaparecendo dia após dia.

Não vejo outra possibilidade de barrarmos todas essas palhaçadas a não ser a conscientização de alunos e pais e, desse modo, da sociedade, sobre a situação preocupante da educação pública nesse estado. Salas de aula com 44 alunos não me parece refletir o compromisso com a educação de qualidade que a Secretaria de Educação costuma alegar em seus discursos. Um passo importantíssimo em direção a uma educação de qualidade seria a redução do número de alunos por sala. As condições demográficas do estado nesse momento favorecem essa medida, pois como alega a Secretaria de Educação, houve nos últimos anos redução de natalidade, no entanto, a opção do governo de Geraldo Alckmin é fechar salas e permanecer com salas lotadas.

Enquanto a Educação for vista como gasto e não como investimento, nós continuaremos sendo vítimas de políticas públicas que, ao primeiro sinal de crise, cortam gastos na Educação para garantir o investimento na construção de rodovias. Essa inversão de valores precisa ser combatida. Investir em Educação é investir no futuro, é investir em qualidade de vida. Todos juntos, professores, alunos, pais e sociedade em geral, temos o dever de cobrar ações em prol de uma educação pública de qualidade.

Francine Ribeiro

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Novidades do dia!

Acredito que todos estejam acompanhando as novidades do dia. Eu estou particularmente feliz!


O pronunciamento do Governador foi ridículo, mas mostrou que os estudantes abalaram as estruturas desse governo...

Um pouco depois, mais uma boa notícia!! Parece que agora quem precisa de Reorganização é a Secretaria de Educação...

O que a queda da popularidade não faz, hein, senhor Alckmin? No início da semana, vazava áudio no qual pudemos ouvir do Padula (chefe de gabinete do então secretário da educação) que o Alckmin não pensava em arredar o pé, não mudaria nada... Se alguém não ouviu, vale a pena (na verdade é nojento, mas é necessário conhecer os 'inimigos' dos estudantes, afinal eles falavam em guerra - e foi o que vimos essa semana, a polícia do Alckmin descendo o cacete em menores...) http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/12/video-mostra-tumulto-entre-policiais-e-manifestantes-em-escola-de-sp.html

Como disse uma amiga  minha, 'o correio popular capitou bem o espírito picolé de chuchu do Governador'.... http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/12/nacional_mundo/402596-alckmin-cede-a-pressao-e-suspende-reorganizacao.html  

Deixando as brincadeiras de lado, eu realmente espero que esses estudantes, e que os outros que só assistiram a tudo isso, tenham compreendido a força que eles têm! Espero que 2016 seja um ano para mudar a cara da Educação do Estado de São Paulo. 
O agora ex- Secretário assumiu que a situação é vergonhosa (Certamente isso não agradou o Governador...). Um idesp de Ensino Médio (índice de desenvolvimento da educação do estado de São Paulo) de 1,93, numa escala de 0 a 10, é muito mais que vergonhoso!  No entanto, a Secretaria anda por caminhos tortuosos e que se distanciam anos luz da possibilidade de melhorar essa realidade. Política de bonificação que incentiva (e pior ainda, faz pressão/chantagem) para que alunos sejam aprovados (ou seria empurrados??) sem ter o mínimo de condição de continuar um verdadeiro processo de aprendizagem, não é vergonhoso, é criminoso! Negar reajuste aos professores - veja bem, reajuste, não é nem aumento...- é mostrar que esse profissional não tem mesmo nenhum valor! Fechar escolas, alegando que há vagas ociosas, bom, a sociedade mostrou que isso foi um erro tremendo.
A luta, de estudantes e professores, deve ser por redução do número de alunos por sala. Devemos em 2016 lutar por salas com no máximo 25 alunos. Só assim começaremos a falar em melhoria da educação. Se o problema do Estado não é corte de custos, então seria de bom tom o Governador dar uma voltinha pelas escolas e começar a rever o que ele chama de investimento em Educação. Temos muitas escolas caindo aos pedaços, necessitando reformas urgentes. Muitos alunos que não sabem o que é um laboratório de informática, química, biologia ou de física. 

Enfim, espero muito que as novidades de hoje sejam sinais de novos tempos!

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Sobre reorganização, ocupações e as 'táticas de guerra' da Secretaria de Educação

Estou sem tempo para escrever, mas gostaria de compartilhar links interessantes para que possam pensar um pouco sobre o que está acontecendo.
Façam o exercício de comparar os textos, os termos usados por cada jornalista/revista/jornal.

Correio popular: Alckmin decreta reorganização na terça-feira

G1: Governo de São Paulo fala de 'ações de guerra' contra ocupações em escolas

Carta Educação (carta capital): "Nem passa pela cabeça de Alckmin voltar atrás" diz gravação vazada sobre reorganização escolar

Folha de São Paulo: ué, estranho, na folha não apareceu nem uma notinha....Pera aí, saiu sim: Escolas ocupadas em Paraisópolis têm tumulto e ofensas a alunos, mas e sobre o áudio? Vejam o tom da notícia...Governo fará visitas a escolas ocupadas para tentar frear protestos
Em

Estadão: Esse também prefere não falar nada sobre a reunião de domingo.... Melhor falar que os alunos estão causando tumulto nas ruas de São Paulo.... Estudantes interditam cruzamento com mesas e carteiras


Sobre o áudio que está circulando por aí, quem quiser ouvir as sábias palavras desse pessoal da Educação de São Paulo clique aqui!



segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Inscrições Unicamp 2015

Unicamp terá aplicação do vestibular em mais 5 cidades do estado de SP

Araçatuba, Avaré, Franca, Guaratinguetá e Osasco terão provas este ano.
Ao todo, os candidatos poderão realizar os exames em 25 municípios em SP.

Do G1 Campinas e Região
Estudantes realizam prova de redação na 2ª fase da Unicamp, em Campinas (Foto: Antoninho Perri/Unicamp)Estudantes terão mais opção de cidades que terão aplicação de prova (Foto: Antoninho Perri/Unicamp)
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aplicará provas do vestibular 2016 em mais cinco cidades do estado de São Paulo. São elas: Araçatuba, Avaré, Franca, Guaratinguetá e Osasco. Os candidatos poderão escolher, ao todo, entre 25 municípios do estado para fazer o exame, além de Brasília (DF).
A novidade foi divulgada nesta segunda-feira (3), quando também começaram as inscrições para o vestibular. Entre 9h e 10h, 250 candidatos já tinham realizado o cadastro. Para os 70 cursos oferecidos, os estudantes vão disputar 3.320 vagas e terão até 3 de setembro para realizar a inscrição, pelo site da comissão responsável (Comvest). A taxa é de R$ 150.
Entrada da Unicamp em Campinas (Foto: Fernando Pacífico / G1)Unicamp ampliará bônus para tentar elevar
inclusão social (Foto: Fernando Pacífico / G1)
As demais cidades do estado onde as provas serão aplicadas são: Campinas, Bauru, Guarulhos, Jundiaí, Limeira, Mogi das Cruzes, Mogi Guaçu, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santo André, Santos, São Bernardo do Campo, São Carlos, São João da Boa Vista, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo, Sorocaba e Sumaré.
Mais bônus para rede pública
Os candidatos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas da rede pública terão acréscimo de 60 pontos às notas da primeira fase este ano. Os estudantes que, além desse diferencial, se declararem pretos, pardos ou indígenas terão mais 20 pontos. Até 2014, o benefício só era concedido na segunda etapa.
Na segunda fase, a bonificação será de 90 pontos na prova de redação e outros 90 nas provas dissertativas, para os estudantes da rede pública. Já os autodeclarados pretos, pardos ou indígenas terão acréscimo de 30 pontos nessa conta.
Comissão do Vestibular da Unicamp explica mudanças no exame de 2016 (Foto: Fernando Pacífico/G1)Pró-reitor e coordenador da Comvest explicam as
alterações no vestibular (Foto: G1 Campinas)
A mudança foi adotada diante da necessidade de alcançar índice de 50% para matriculados oriundos da rede pública e 35% de autodeclarados pretos, pardos e indígenas até 2017. A meta foi estipulada pelo governo do estado. O Conselho Universitário (Consu), órgão máximo de deliberação da Unicamp, aprovou as alterações no Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (Paais).
Cursos concorridos
Os cursos no topo da lista dos concorridos da Unicamp também terão mais chance. Aumentou o limite máximo de candidatos convocados para a segunda fase nas faculdades de alta demanda, com 200 ou mais candidatos por vaga. O limite será de 10 vezes o número de vagas do curso, e não mais oito vezes.
Os demais cursos permanecem com o limite antigo: seis vezes para até 100 candidatos por vaga e, nos cursos com concorrência entre 100 e 199, máximo oito vezes o número de vagas.
Com relação à estrutura de acessibilidade, Ribeirão Preto terá, a partir desta edição, estrutura para candidatos com deficiência, incluindo materiais e apoio de funcionários, informou a Comvest. Outros municípios aptos para receber os estudantes são Campinas e São Paulo.
Ciclo Básico da Unicamp em Campinas (Foto: Lucas Jerônimo/G1)Ciclo Básico da Unicamp, em Campinas
(Foto: Lucas Jerônimo / G1)
Provas
O exame da primeira fase será aplicado em 22 de novembro, enquanto que as avaliações da segunda etapa serão realizadas em 17, 18 e 19 de janeiro de 2016. Segundo a Comvest, as provas de habilidades específicas para os candidados aos cursos de música irão ocorrer de 24 a 28 de setembro.
Já os inscritos para as carreiras de arquitetura e urbanismo, artes cências, artes visuais e dança devem fazer os exames específicos de 25 a 28 de janeiro.
O modelo de provas aplicado no último vestibular será mantido este ano. Na primeira fase, os candidatos terão 90 questões de múltipla escolha nas disciplinas de língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa, matemática, história, geografia, sociologia, filosofia, física, química, biologia e inglês, além de perguntas interdisciplinares.
A segunda etapa será feita em três dias: redação (dois textos), língua portuguesa e literaturas de língua portuguesa no primeiro; história (incluindo filosofia), matemática e geografia (incluindo sociologia) no segundo; e química, física e biologia no terceiro dia.
Isenção
De acordo com a Unicamp, 5.995 inscritos serão beneficiados com isenção de pagamento da taxa - alta de 31% no comparativo com a edição 2014. A universidade frisou ainda que será aberto, entre os dias 12 e 14, o período para solicitações de redução parcial (50%) da taxa de inscrição. Neste caso, o benefício contempla candidatos que sejam estudantes regularmente matriculados em uma das séries do ensino fundamental ou médio ou curso pré-vestibular ou curso superior (graduação e pós-graduação); e estejam desempregados ou recebam menos de dois salários mínimos por mês, informou a comissão responsável por organizar o exame.
  •  Fonte: G1