sexta-feira, 8 de agosto de 2014

GOVERNAR

 Os garotos da rua resolveram brincar de governo, escolheram o presidente e pediram-lhe que governasse para o bem de todos.
- Pois não – aceitou Martim. – Daqui por diante vocês farão meus exercícios escolares e eu assino. Clóvis e mais dois de vocês formarão a minha segurança.
Januário será meu Ministro da Fazenda e pagará o meu lanche.
-Com que dinheiro? – atalhou Januário.
-Cada um de vocês contribuirá com um cruzeiro por dia para a caixinha do governo.
-E que é que nós lucramos com isso? – perguntaram em coro.
-Lucram a certeza de que têm um bom presidente. Eu separo as brigas, distribuo tarefas, trato de igual para igual com os professores. Vocês obedecem, democraticamente.
-Assim não vale. O presidente deve ser nosso servidor, ou pelo menos saber que todos somos iguais a ele. Queremos vantagens.
-Eu sou o presidente e não posso ser igual a vocês, que são presididos. Se exigirem coisas de mim, serão multados e perderão o direito de participar da minha comitiva nas festas. Pensam que ser presidente é moleza? Já estou sentindo como esse cargo é cheio de espinhos.
Foi deposto, e dissolvida a República.


 Carlos Drummond de Andrade. Contos Plausíveis. Rio de Janeiro. Record, 1994.

terça-feira, 29 de julho de 2014

O Analfabeto político

O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões
políticas.
O analfabeto político é tão burro
que se orgulha e estufa o peito 
dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que 
da sua ignorância 
política nasce a prostituta, o menor 
abandonado, e o pior de todos os bandidos 
que é o político vigarista, pilantra, o corrupto 
e lacaio dos exploradores do povo.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Resposta e Resolução do Desafio Lógico - O brinco da Princesa

“Há não muito tempo atrás, num país distante, havia um velho rei que tinha três filhas, inteligentíssimas e de indescritível beleza, chamadas Guilhermina, Genoveva e Griselda.
Sentindo-se perto de partir dessa para a melhor, e sem saber qual das filhas designar como sua sucessora, o velho rei resolveu submetê-las a um teste.
A vencedora não apenas seria a nova soberana, como ainda receberia a senha da conta secreta do rei (num banco suíço), além de um fim de semana na Disneylândia.
Chamando as filhas à sua presença, o rei mostrou-lhe cinco pares de brincos, idênticos em tudo com exceção das pedras neles engastadas: três eram de esmeralda, dois de rubi.
O rei vendou então os olhos das moças e, escolhendo, ao acaso, colocou em cada uma elas um par de brincos.

O teste consistia no seguinte: aquela que pudesse dizer, sem sombra de dúvida, qual tipo de pedra que havia em seus brincos herdaria o reino (e a conta na Suíça etc).
A primeira que desejou tentar foi Guilhermina, de quem foi removida a venda dos olhos.
Guilhermina examinou os brincos de suas irmãs, mas não foi capaz de dizer que tipo de pedra estava nos seus (e retirou-se furiosa).
A segunda que desejou tentar foi Genoveva. Contudo, após examinar os brincos de Griselda, Genoveva se deu por conta de que também não sabia determinar se seus brincos eram de esmeralda ou de rubi e, da mesma forma furiosa que sua irmã, saiu batendo a porta.
Quanto a Griselda, antes mesmo que o rei tirasse-lhe a venda dos olhos, anunciou corretamente, em alto e bom som, o tipo de pedra de seus brincos dizendo ainda o porquê de sua afirmação.
Assim, ela herdou o reino, a conta na Suíça e, na viagem à Disneylândia, conheceu um jovem cirurgião plástico, com quem se casou e foi feliz para sempre”[1].
Vejamos se você consegue resolver esse problema:
Qual era a pedra dos brincos de Griselda? Como Griselda descobriu isso?

Resposta: Os brincos são de esmeraldas. 

Mas agora vamos ver como ela descobriu!
Bom, a primeira parte do exercício é o que propriamente chamaremos raciocínio. Você terá caminhos distintos para chegar a resposta correta. É importante observar que não há apenas uma única via de raciocínio, para qualquer problema que se tenha diante de si. Será que você pensou em algo parecido com o caminho que irei indicar a seguir?

Dado 1
São três filhas
Dado 2
São 5 pares de brincos: 3 de esmeraldas e 2 de rubis


(De 1 e 2)
Guilhermina
Genoveva
Griselda
C1
Esmeralda
Esmeralda
esmeralda
C2
Esmeralda
Esmeralda
Rubi
C3
esmeralda
Rubi
Rubi
C4
esmeralda
Rubi
esmeralda
C5
rubi
Rubi
esmeralda
C6
rubi
Esmeralda
esmeralda
C7
rubi
Esmeralda
Rubi

Depois de organizar as informações disponíveis e distribuir as possíveis combinações de filhas e brincos, você pode ter formulado a seguinte questão?
1-    Qual seria a única chance de Guilhermina, a primeira filha, ao tirar a venda dos olhos, poder dizer com certeza qual tipo de pedra tinha nos brincos?
E você então observa que a única chance de Guilhermina ser a vencedora está em C3; Uma vez que no enunciado afirma-se que ela não foi capaz de dizer de que tipo era a pedra de seus brincos, sabemos que C3 não era o caso e podemos eliminá-lo;

(De 1 e 2)
Guilhermina
Genoveva
Griselda
C1
esmeralda
Esmeralda
Esmeralda
C2
esmeralda
Esmeralda
Rubi
C3
esmeralda
Rubi
Rubi
C4
esmeralda
Rubi
Esmeralda
C5
Rubi
Rubi
Esmeralda
C6
Rubi
Esmeralda
Esmeralda
C7
Rubi
Esmeralda
Rubi

2-    Continuamos nosso raciocínio: a próxima filha a tirar a venda dos olhos é Genoveva. Devemos repetir a questão anterior: Qual seria a única chance de Genoveva, a segunda filha, ao tirar a venda dos olhos, poder dizer com certeza qual tipo de pedra tinha nos brincos?
Ao observar o quadro acima você responderá que em C2 e em C7 estão expostas as chances de Genoveva saber qual era a pedra de seu brinco, pois era necessário que Griselda estivesse usando um Rubi. Mas, como já sabemos, ela não foi capaz de afirmar com certeza qual pedra usava. Sendo assim, podemos também eliminar C2 e C7.

(De 1 e 2)
Guilhermina
Genoveva
Griselda
C1
Esmeralda
Esmeralda
Esmeralda
C2
Esmeralda
Esmeralda
Rubi
C3
Esmeralda
Rubi
Rubi
C4
esmeralda
Rubi
Esmeralda
C5
Rubi
Rubi
Esmeralda
C6
Rubi
Esmeralda
Esmeralda
C7
Rubi
Esmeralda
Rubi

O que nos deixa com a resposta de que os brincos de Griselda eram de esmeralda.
Vejamos agora a segunda parte do exercício. Como Griselda justificou para o pai a sua resposta.
(De 1 e 2)
Guilhermina
Genoveva
Griselda
C1
esmeralda
esmeralda
Esmeralda
C2
esmeralda
esmeralda
Rubi
eliminado por b
C3
esmeralda
Rubi
Rubi
eleminado por a
C4
esmeralda
Rubi
Esmeralda
C5
Rubi
Rubi
Esmeralda
C6
Rubi
esmeralda
Esmeralda
C7
Rubi
esmeralda
Rubi
elimnado por b
a- Se Guilhermina, ao tirar a venda tivesse visto que eu e Genoveva usávamos, ambas, brincos de Rubi,
ela saberia que o seu brinco necessariamente seria de esmeralda.
Guilhermina não soube dizer com certeza qual era o seu brinco,
logo, Genoveva e eu não estávamos ambas usando rubi
b-Se Genoveva e eu não usávamos ambas Rubi, Guilhermina deve ter visto que ambas usávamos esmeralda
 ou uma de nós usava Rubi e a outra esmeralda;
Se Genoveva ao tirar a venda tivesse visto que eu estava usando brincos de Rubi, ela poderia afirmar
com certeza que o seu brinco era de esmeralda;
Genoveva não pode dizer com certeza qual era o seu brinco,
logo, eu não estava usando brincos de rubi
c- Sendo assim, só posso dizer que estou usando brincos de esmeralda.

O que temos acima não é um raciocínio ou um processo mental, mas uma tentativa de reconstrução racional daquele processo, construído a partir de uma série de frases ou sentenças que são dadas como razões ou justificativas para que a conclusão a que chegamos seja aceita. Ao falar de justificativas entramos no campo dos argumentos. Certamente, os argumentos acima poderiam ter sido formulados por Griselda a partir do que se sucedeu com as tentativas de suas irmãs de descobrirem qual era a pedra dos brincos que usavam. Não bastava dizer ao pai: ‘os meus brincos são de esmeralda’. O rei queria saber por que ela afirmava que seus brincos eram de esmeralda. E a justificativa de Griselda poderia ter sido formulada como apresentamos acima. 
Resolução



[1]Exemplo retirado de Mortari, C. A., Introdução à lógica, 6ª ed, São Paulo:editora Unesp, 2001, p.2-3. 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Teste de Einstein e outros desafios lógicos

Pessoal,
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